Pyladies: Grupo internacional para ajudar mulheres a tornarem-se ativas e líderes da comunidade de código aberto Python | Gabriela e Katyanna

No último dia 29 houve o encontro das Pyladies Brasil em Natal/RN, um grupo internacional com o foco em ajudar mais mulheres a se tornarem líderes de comunidades Python de código aberto, criar um ambiente envolvente e inclusivo para mulheres que desejam ingressar e conhecer sobre tecnologia. E com isso conversei com a Gabriela e a Katyanna que foram umas das organizadoras para falarem sobre a experiência do evento.

Gostaria que se apresentassem e falar um pouco sobre vocês

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Eu sou a Gabriela, tenho 19 anos, curso o Bacharelado em Tecnologia da Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e acabei de concluir o técnico em Informática no Instituto Federal do RN. Sou definitivamente apaixonada pela minha área. Amo programação, desenvolvimento, tecnologia… realmente, não tenho para onde fugir. Nem sempre tive essa certeza do que fazer profissionalmente e no início até resistir a possibilidade entrar no curso de TI, mas percebi que era nisso que eu me sentia feliz e que eu tinha prazer. Agora que estou junto com as meninas no PyLadies, sinto que fiz a escolha certa.

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Katyanna Moura, 20 anos. Queria ser bailarina, depois mudei para escritora e me decidi por Engenharia Mecânica. Entrei no IFRN para estudar Operações Comerciais no ensino médio técnico e descobri a existência de programação de softwares por lá. Achei legal, me decepcionei com o “Hello World”, mas meus olhos brilharam depois do programinha que resolveu o raio da circunferência. Decidi fazer Engenharia da Computação para depois me especializar em robótica. Mudei de idéia, fui para o curso de Tecnologia da Informação e estou aqui agora. Me juntei à dois amigos do IFRN e juntos administramos os maiores portais de empregos e estágios do RN, criamos a primeira de Feira de Estágios do estado e fundamos uma agência de publicidade. Trabalho como redatora, analista de mídias sociais e monitora de inglês. Ainda tenho aulas de ballet. “Not all those who wander are lost.” (:

Quais foram as motivações para criar um evento da Pyladies no Brasil?

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Gabriela: O porquê de termos tão poucas meninas na área tecnológica. Acho que esse foi o principal motivo que nos fez sair do canto e pensar em mudar. Não entendemos o que houve ao longo da história que fez com que as garotas se assustassem tanto e fugissem disso. Temos grandes nomes como Ada Augusta Byron, Grace Murray Hoper, Radia Joy Perlma e muitas outras que marcaram a linha do tempo da computação e que deveriam ser exemplos para mais meninas entrarem nesse mundo… mas infelizmente poucas conhecem a histórias dessas mulheres. O PyLadies existe para ser um motivador, uma ponte para levar garotas ao mundo da programação. Nosso propósito não é criar ilhas, ou afastar as garotas dos meninos, ou ser um grupo sexista, queremos somente mostrar que mulher pode sim mudar o mundo mesmo sem seu “código fonte”. Não importa o seu sexo, isso não define sua escolha profissional nem limita sua capacidade intelectual, isso é algo que depende somente de você… Yes you can! \o

Katyanna: Um belo dia fui à um dojo da potilivre e vi uma menina falando sobre o PyLadies. Achei incrível ter outra menina ali e ainda mais estando tão envolvida com a coisa, então quando ela me chamou para falar do projeto, eu já estava completamente encantada pela ideia. A área de T.I. é dominada pelos rapazes hoje e isso acaba assustando as garotas. Quando você se coloca lá na frente e traz mais um monte de mulher para falar que a gente também faz parte disso e faz coisas incrivelmente legais, essa imagem de “tecnologia é para garotos” se quebra e abre portas para as moças que estavam em cima do muro.

Tiveram grandes nomes femininos palestrando, quem colaborou e quais foram os assuntos abordados?

Gabriela: Nós tivemos a Professora Adja Ferreira, da UFRN falando sobre o fato da tecnologia ser uma coisa para mulheres também. Logo apos ela, a Camilla Crispin, que é Consultora de Desenvolvimento da ThoughtWorks e trabalha com projetos em ambiente ágil, e falou um pouco sobre a participação feminina na área, deu várias dicas para as garotas e falou um pouco sobre alguns dos problemas sofridos por algumas de nós no meio tecnológico, como a síndrome do impostor.Depois tivemos duas palestras, uma dada pela Débora Azevedo sobre Python (ela já é um fruto do PyLadies, é uma de nossas monitoras), e a última dada por mim sobre o framework Flask.

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Adja Ferreira
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Camila Crispin
Débora Azevedo
Débora Azevedo
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Gabriela Cavalcante

Qual foi o feedback dos participantes? O que lhes surpreendeu?

Gabriela: O feedback foi realmente incrível. Tudo foi muito surpreendente, a quantidade de meninas que compareceram, o empenho delas em aprender algo totalmente novo, e como o evento repercutiu. Ouvir delas que o evento foi ótimo e que elas estão ansiosas para os próximos, nos mostrou que todo o trabalho valeu a pena. Além disso foi incrível vê-las festejando por cada conquista que vinham tendo, por terem conseguido ver o resultado do código no navegador, por terem feito um “Hello World”… isso foi encantador.

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Por que Python? O que a linguagem trouxe de facilidade para ensino de programação a pessoas sem qualquer conhecimento?

Gabriela: Python é uma linguagem que está sendo cada vez mais utilizada, é poderosa e extremamente fácil de assimilar. Além disso, a quantidade de materiais, cursos, aulas que podemos ter acesso é enorme, inclusive o curso que utilizamos para treinar as monitoras foi o Python para Zumbis, um material de qualidade oferecido gratuitamente a que se interessa. E ainda tem o fator da comunidade PyLadies já trabalhar com Python, unimos o útil ao agradável. A linguagem é realmente muito boa para trabalhar com quem esta iniciando no desenvolvimento, e para aqueles mais experientes, ela é robusta o bastante para ser usada em seus projetos.

Quanto foi importante o apoio da comunidade para a realização do evento?

Gabriela: Não poderíamos ter feito isso sozinhas. Tivemos o apoio da comunidade local, a PotiLivre, que nos ajudou com treinamento, organização, suporte… tivemos a contribuição da Thoughtworks também, tanto para a palestra com a Camilla, como com pessoas para a monitoria para ajudar as meninas durante o evento, o Ronualdo e a Ana Clara Lacerda ficaram conosco correndo para um canto e para outro, e recebemos muitos conselhos e dicas extremamente importantes, o Ricardo Garcia e muitos outros da empresa foram bem pacientes com a nossa inexperiência com algumas coisas e nos fizeram crescer bastante. Além disso, fomos extremamente incentivadas pelo pessoal da Evolux, uma empresa regional que vestiu a camiseta do PyLadies literalmente. E também há a própria comunidade PyLadies, as meninas de outros países sempre tiraram nossas dúvidas, elogiavam, criticavam, sugeriam… demonstraram o real sentido da palavra comunidade. E as meninas que estavam na monitoria aqui do evento também suaram a camisa para fazer tudo dar certo, temos muito a agradecer à elas, e a várias outras pessoas que ergueram a bandeira do PyLadies conosco.

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E por fim gostaria que vocês deixassem umas dicas para a pessoas conhecerem os projetos da Pyladies Brasil, envolverem-se na comunidade e considerações sobre o evento em um todo.

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Gabriela: É importante entender o que queremos passar com o PyLadies. Como eu comentei anteriormente, não somos um grupo com propósito de segregar ou de criar ilhas, e deixar as meninas longe dos rapazes enquanto pregamos um discurso sexista (rsrs tá bem longe disso).

Queremos ser um incentivo para elas não se sentirem inferiores ou inseguras. Eu acredito que maior parte da pressão sofrida pelas meninas, muitas vezes parte delas mesmas. Muitas não se acham capazes, ou se sentem intimidades pela grande quantidade de rapazes, ou acham que estão tomando o lugar de alguém que realmente merecia estar lá… ideias totalmente equivocadas, e que queremos por um fim. Se você se sente curios@ e quer descobrir um pouco mais sobre nós, tem a nossa página pyladiesnatal.potilivre.org, ou envie-nos um email para brazil@pyladies.com. Ainda tem nossa página no Facebook, sempre postamos novidade, links com materiais e avisos sobre a comunidade. Teremos várias novidades mais para frente, não pensem que o PyLadies acabou só no primeiro encontro! Mensalmente teremos reuniões, encontros, formais e informais para falar de programação, tecnologias, novidades, maratonas, fofocas… 🙂 Fiquem atentos e se envolvam, posso garantir que não vão se arrepender.

2 comentários em “Pyladies: Grupo internacional para ajudar mulheres a tornarem-se ativas e líderes da comunidade de código aberto Python | Gabriela e Katyanna

  1. Olá Gabriela!
    Parabéns pela realização do evento. Eu sabia que iria dar tudo certo, pois, você é uma aluna dedicada, responsável e que se empenha em tudo que faz. Estamos orgulhosos de você! Deus te abençoe e te dê sabedoria.

  2. Parabéns, meninas e a todos que colaboraram! Eu acompanhei pela web os comentários e achei muito bacana as atividades para atrair participantes. Algo que senti falta quando participei do Rails Girls Salvador foi encontrar projetos de garotas brasileiras em Ruby (já de Python encontrei alguns e foi assim que descobri sobre o primeiro PyLadies no Brasil). Esse acompanhamento pós é super importante também!

    Eric, já acompanho o blog pelo feed há um tempo e nunca comentei. 😛
    Gosto muito das tuas publicações e as entrevistas são muito legais! Obrigada e agora vou tentar comentar mais. 🙂

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