#1 Python Help | Blogs que me inspiram

Hoje converso com o Valdir Stumm Júnior, responsável pelo blog Python Help, blog repleto de tutoriais de alta qualidade sobre Python, abordando assuntos como as características e mágicas da linguagem, além de como trabalhar com web com o Google App Engine.

Valdir, fale um pouco de ti.

Sou professor da área de programação no Instituto Federal Catarinense, em Blumenau. Conheci Python em 2005 em um projeto de uma disciplina na graduação, mas comecei a utilizar de forma mais intensiva em 2007, quando fui desenvolver o meu trabalho de graduação, que se tratava de uma extensão para o Plone. Depois disso, também utilizei Python no mestrado. Daí para diante, passei a usar Python em sala de aula e no desenvolvimento de projetos.

Qual foi a inspiração para criar o blog?

Criei o blog porque eu percebi que era preciso criar um mecanismo para que os meus alunos pudessem aprender conceitos além daqueles vistos em sala de aula, cujo tempo era restrito. Além de poder publicar artigos relacionados às dúvidas que surgiam em sala e fora dela, o blog também tornou possível a publicação de materiais envolvendo novos conceitos e tecnologias, para que os alunos pudessem avançar além daquilo que foi visto na disciplina.

De onde são feitos os estudos para criar seus artigos?

Em geral, os textos surgem de dúvidas ou coisas interessantes que encontro quando estou escrevendo código Python. As fontes de consulta que mais uso para resolver minhas dúvidas são: a documentação oficial, respostas do StackOverflow.com, e os livros Learning Python e Python in a Nutshell.

E quais são suas inspirações para poder compartilhar seus conhecimentos sobre Python?

Uma das coisas que mais gosto de fazer é escrever. No meu dia a dia, fico sempre em alerta sobre algo que poderia render um post no blog. Às vezes, a ideia vem de um módulo que acabei de aprender a utilizar. Nesse caso, escrever um texto me ajuda a firmar o que aprendi, e também a estudar o assunto com mais atenção. Em outros casos, a ideia surge ao revisitar determinado problema. Tendo aprendido outras linguagens antes, dá para perceber que o modo de pensar muda depois de começar a programar em Python. Assim, percebo que algumas coisas simples em Python podem não ser tão triviais para quem está começando com a linguagem, mesmo que já tenha experiência com programação em outras linguagens. E é sobre esse tipo de coisa que gosto de escrever.

Por que Python?

Porque é simples o suficiente para que o iniciante não se confunda e para que o experiente não se entedie. Porque é consistente, característica que é primordial para que o iniciante consiga absorver bem os conceitos. Porque tem uma stdlib gigantesca, que é complementada pela enorme quantidade de bibliotecas e frameworks que a comunidade fornece. Porque tem um REPL, que permite ao iniciante experimentar a linguagem e aprender de forma interativa. Porque tem uma comunidade engajada, com material novo surgindo a cada dia, com diversas fontes para busca de ajuda. E também porque tem o IPython, o IPython Notebook e o Dreampie que quebram um galhão no dia a dia de quem está desenvolvendo.

O que acha de programar com o Google App Engine?

Google_app_engine
http://pythonhelp.wordpress.com/2013/10/03/um-blog-com-google-app-engine/

Eu acho muito legal esse negócio de programar para a web sem se preocupar muito com a infraestrutura que vai dar suporte. O App Engine é perfeito para quem está começando, pois permite desenvolver e já publicar o app de uma forma muito simples, bastando ter uma conta Google. Com ele, podemos deixar para lá aquela chatice de instalar e configurar um servidor especialmente para publicar um aplicativo.

Uma das coisas que sempre quis fazer e você já tem feito é abordar diversas features da linguagem, seja as bibliotecas embutidas como datetime, e além de outros externos, criando tutoriais e dicas a respeito. Quais são as principais vantagens para quem não conhece?

A biblioteca padrão do Python é repleta de ferramentas úteis. O pessoal costuma dizer que Python “vem com as pilhas inclusas”, isto é, tudo o que você precisar para resolver o seu problema já está incluso quando você instala o interpretador. Então, conhecer bem a biblioteca padrão significa ter um caixa de ferramentas muito maior na hora de resolver um problema. Porém, não é só na stdlib que tem ferramentas boas. Pelo contrário, existe uma enorme quantidade de bibliotecas de terceiros que são, às vezes, até melhores que as disponíveis na biblioteca padrão. Acho que o melhor exemplo disso é a requests (http://docs.python-requests.org/en/latest/), que é uma lib para trabalhar com HTTP que é, na minha opinião, muito melhor do que a correspondente na stdlib, a urllib2.

O que o blog te trouxe de interessante?

O blog me estimulou a estudar mais a fundo vários assuntos. Afinal, antes de escrever um artigo sobre um tema qualquer, é imprescindível dar uma boa estudada nele, para não cometer gafes. Além da parte técnica, acho que treinar a escrita e a comunicação com outras pessoas é muito importante. Como professor, é essencial que eu consiga me expressar da forma mais clara possível, e acho que escrever me ajuda a melhorar não somente a escrita, mas também o discurso.

Deixe suas considerações sobre dicas para quem deseja aprender Python?

Acho que a principal dica é: organize seus estudos. Existem muitos materiais de excelente qualidade na web, mas é fácil se perder nessa imensidão de conteúdo. Para quem está começando a programar, sugiro que estude através de cursos online, como por exemplo o Python para Zumbis, pois eles já são cuidadosamente planejados para que o iniciante veja os assuntos de forma gradual, fazendo atividades práticas com feedback imediato, firmando o conteúdo que foi recém visto. Entretanto, a melhor forma de aprender Python é programando muito. Pratique; fazendo projetinhos para resolver problemas do seu dia a dia (mesmo que já existam programas com a mesma finalidade) e resolvendo problemas que exercitem a sua lógica de programação. Existem vários recursos que podem servir como guias nesse processo, como os sites codingbat.com e projecteuler.net. Outro recurso bem interessante, que conheci há pouco, é o projeto Python Koans (github.com/gregmalcolm/python_koans) que é um tutorial interativo em que o sujeito aprende com uma abordagem incremental baseada em testes. Enfim, recursos existem aos montes, basta escolher algum e praticar muito.

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