#3 Aprenda Python | Blogs que me inspiram

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Vinicius Assef é um cara que admiro. Admiro porque uma das palestras que mudaram completamente minha visão sobre o mercado de trabalho foi a dele. E com o tempo percebi gradativamente que é realidade o que falou. E por mais que goste de Python, gosto mais ainda de ouvir histórias. E por isso que convido o Vinicius para falar um pouco da sua experiência e falar do seu blog, Aprenda Python, um dos blogs de Python mais acessados do Brasil.

 

Vinicius, fale um pouco de você e sua história.

É difícil falar da gente mesmo, né? Vou começar do princípio.

Comecei a programar em BASIC aos 13 anos, num CP-500. Na biblioteca da empresa que minha mãe trabalhava havia uma moça que nem era programadora, mas se dedicava a ensinar a quem quisesse aprender alguma coisa sobre BASIC. Foi aí que minha história começou. Vi que gostava daquilo e 2 anos depois eu comprei um PC-XT.

Naquela época era muito difícil conseguir computadores porque o Brasil vivia a reserva de mercado (anos 1980) e quase nada chegava aqui. Internet… bem, isso é coisa muito nova! O que funcionava mesmo era o Paraguai. hehehehe

Depois, aos 15 anos (quase com 16), já no final do segundo ano do segundo grau (atual ensino médio), comecei a estagiar e conheci os mainframes IBM. Com eles eu trabalhei cerca de 20 anos em Cobol,Natural, Adabas e JCL. Foi durante esse período que eu também conheci o mundo de desenvolvimento para Windows (Delphi e Visual FoxPro), Client/server (PowerBuilder e Sybase), um pouco de Unix e web (PHP, MySQL e Python).

Uma das coisas mais legais da sua palestra(link), é a transformação do mundo enterprise para o mundo open source. E tem lições fantásticas sobre qualidade de vida. Como foi essa trajetória?

Vou tentar resumir, mas foi (e ainda é) longa. Eu tive filhos muito cedo e por isso precisei trabalhar duro.

Depois de muitos anos, comecei a questionar várias coisas que eu via nos lugares onde trabalhei e desanimei com a minha profissão. A essa altura do campeonato eu tinha quase 20 anos de trabalho, já tinha morado em 3 capitais e trabalhado em algumas empresas multinacionais.

Eu já tinha sido empregado, terceirizado, quarteirizado, já tinha coordenado fábrica de software, feito outsourcing, migração de sistema, já tinha sido demitido e já tinha demitido gente. Passei, também, alguns anos em cargo de coordenação, fora do desenvolvimento. Mas sempre ligado à atividade de desenvolvimento.

Em 2007, nem lembro como, eu conheci a linguagem Python. Como eu estava num período de trabalho em São Paulo, fiquei sabendo de uma reunião onde seria organizado um grupo de usuários de Python. Tomei coragem e resolvi ir.

Ali eu conheci o Luciano Ramalho e conversamos bastante. Àquela altura eu achava simplesmente impossível conseguir pagar minhas contas com outra tecnologia que não fosse mainframe, mas saí desse encontro com uma sensação completamente diferente. Dentre várias coisas importantes, Luciano me disse: “Você não vai ver uma pessoa estudando Python só porque o professor mandou. Quem programa em Python já programa em outras linguagens e escolhe ficar com Python”. Outra frase dele que me fez pensar muito (mesmo!) na vida foi: “As tecnologias que uma empresa escolhe usar falam muito a respeito de como essa empresa funciona.”

Essas foram duas sacadas impactantes que me motivaram a dar uma guinada na vida. Nesse mesmo período eu estava conhecendo um pouco sobre Agile e ajudei na tradução voluntária do livro Scrum & XP direto das trincheiras que algumas pessoas da SEA Tecnologia estavam organizando.

Tudo isso era novo para mim e nos lugares onde eu trabalhava ninguém falava nisso; ninguém conhecia. Comecei a ver que havia uma rota alternativa profissional e resolvi investir nela.

Eu já participava ativamente da lista nacional de PHP, porém nunca havia ventilado a possibilidade de viver de open source. Quando conheci o manifesto ágil, Python e o Luciano Ramalho, as coisas fizeram mais sentido pra mim.

Daí, só em 2009 eu consegui realmente sobreviver com open source. Foram 2 anos para conseguir a primeira oportunidade. Inicialmente em Brasília, com Python. Foi quando eu fui trabalhar com a turma da SEA Tecnologia. Posso dizer sem a menor sombra de dúvida que ali eu senti na pele uma nova realidade. Eu estava em processo de mudança, perdido pessoalmente e profissionalmente e eles me ajudaram muito. Eu morava a 1300km da família e recebi apoio além da medida. Alexandre Gomes, Renato Willi e Bruno Pedroso são nomes que nunca vou esquecer. Eles me deram oportunidade e me mostraram um mundo completamente novo. A turma toda lá era muito legal, mas com esses 3 eu tive contato mais
estreito.

Depois disso, em Vitória, minha cidade natal, trabalhei um período com PHP. As coisas não andaram muito bem e tive que voltar a trabalhar com mainframe lá, em 2010. Foi, outra vez, um ano de muito sofrimento profissional trabalhando novamente em fábrica de software.

Em 2011 encontrei mais pessoas que ajudaram a pavimentar um pouco mais minha estrada e a quem também sou eternamente grato: a turma da Agência X4. Foi nessa época que vim trabalhar no Rio de Janeiro, novamente longe da família. Conheci o Vinny (meu xará), Carlinhos, Gustavo, Diego, Dani e Val. Uma turma bem diferente do que eu estava acostumado. Foi uma experiência incrível, muito enriquecedora.

Porque eu já mexi com muitas ferramentas de programação na vida e ele é muito produtivo. Simples assim. 😉

Essas experiências de 2007, 2009 e 2011 mudaram meu jeito de encarar a vida. Consegui trocar muita experiência com essas pessoas. Aprendi e continuo aprendendo bastante. Eu sempre fui um inconformado. Não sou tão idealista a ponto de achar que devamos fazer tudo por amor; acho que já passei dessa fase. Mas tenho a certeza que você deve se sentir feliz durante a caminhada. A vida te obriga a fazer coisas que nem sempre são gostosas, mas são necessárias. Em outras situações a gente precisa tentar consertar erros e a estrada fica remendada. Em outras, os buracos ficam mesmo na estrada. O importante (mas muito difícil) é ter consciência do que você está fazendo, para não errar igual, no futuro.

E porque criar mais um blog de Python? Qual o sentido de compartilhar o que sabe?

Eu nunca entendi direito esse lance de open source. Como é possível eu usar um sistema operacional (Linux) gratuito, um editor de programas (Vim) gratuito, um SGBD (MySQL) gratuito, uma linguagem (Python) gratuita e um sistema de versionamento de código (git) gratuito, sem ter que pagar nada a ninguém e ainda assim estar dentro da lei e poder ganhar dinheiro com isso?!

Quando eu refleti sobre isso, vi que a única forma de eu retribuir um pouco para a comunidade era divulgar o pouquíssimo conhecimento que eu tinha. Foi quando eu resolvi criar o Aprenda Python.

Então, o sentido de compartilhar é de devolver o que eu recebi de graça.

Captura de tela de 2014-12-18 12:25:51

Qual a importância de comunidade?

A comunidade é importante porque traz segurança para nossas escolhas. Atualmente, um dos critérios mais importantes que uso ao escolher um software para ser usado, é a comunidade. Se a comunidade em torno desse software não é receptiva, provavelmente eu terei dificuldade para solucionar algum problema que possa surgir. E sempre surgem!

Outra importância da comunidade é o senso de pertencimento. Foi na comunidade que eu enxerguei a possibilidade de mudança na minha vida. Ali eu via outras pessoas também lutando para viver de Python e se ajudando mutuamente, sem cobrar nada. Vi que eu não estava sozinho na luta.

Tem um artigo muito bacana falando sobre as diferenças de Django e Web2py mostrando suas ideias. E porque Web2py?

E por que não? Eu conversei com alguns colegas que respeito muito, na Python Brasil de 2013, e nenhum deles conseguiu me dar um motivo prático para não escolhê-lo. Dei um mini-curso lá e as pessoas gostaram da abordagem do framework.

Mas minha resposta é bem simples: Porque ele é muito produtivo.

Eu já mexi com muitas ferramentas de programação na vida. Gostei muito de Python, mas ainda não vi outro framework, no ecosistema Python, que fosse tão simples de aprender e tão prático quanto Web2py.

Assim como com qualquer ferramenta, é possível construir monstros. O manual e a comunidade mundial de Web2py estão aí pra isso. É uma das melhores comunidades que já frequentei (e ainda frequento).

Nesse artigo que você citou, eu falo um pouco das mágicas que muita gente não gosta. Eu sou mais pragmático, gosto de ver código funcionando. Com Web2py eu consigo ter software rodando rapidamente com pouco código meu. Framework web serve pra isso, não serve?

Claro que para qualquer escolha na vida, suas preferências e convicções pessoais pesam. No assunto framework, isso não seria diferente.

Como é viver de freelancer? Quais as dificuldades e vantagens, e como encontrar trabalhos?

É muito gostoso, mas, ao mesmo tempo, é muito ruim. Precisa de muita disciplina e estou aprendendo bastante sobre isso.

Hoje eu estou com trabalho fixo, num lugar que oferece muitas oportunidades de aprendizado, que precisa melhorar a interação entre as pessoas e tirar mais proveito da tecnologia. Estou gostando muito!

Sobre conseguir trabalho, a comunidade ajuda bastante. Eu consegui alguns trabalhos por conta da minha participação nela. Fiquei esperando algumas promessas, também. Uns foram bons; outros, nem tanto. Deixei alguns furinhos; também deixei alguns furões que nunca conseguirei consertar. Fiz coisa legal e fiz coisa chata. Por alguns, recebi uma remuneração justa. Por outros, nem recebi.

Enfim, o mundo fica mais real quando você deixa de se relacionar com seu computador e passa a negociar preço, prazo e escopo. É um constante desafio. Não tem glamour. É luta pela sobrevivência.

Para conseguir trabalho, parece paradoxal, mas ofereça seu tempo para ajudar. Eu consegui a vaga onde trabalho hoje e mantenho uma parceria muito promissora, em parte, por conta disso. Esteja disponível para as pessoas.

E antes que alguém pergunte, a resposta é “não. O github não é o seu currículo!”. Pessoas vivem fora do computador também e isso traz sanidade a elas. 😉

Deixe suas considerações para a galera e deixe os contatos.

Rapaz, eu não sou bom pra dar conselhos… Mas como já tenho filhos adultos, aqui vão três dicas:

1) Não tenha vergonha de dizer que é um programador. No Brasil, as pessoas fazem questão de dizer que são analistas de sistemas, que são engenheiros de software, que são gerentes de projeto, que são isso e aquilo… mas têm vergonha de dizer que são programadores. Precisamos de programadores, não de fazedores de programas.

2) Para ser um bom programador, não precisa ser um gênio da matemática.

3) Desligue seu computador e vá arrumar seu quarto ou lavar sua louça.

Para falar comigo, a melhor forma é email para viniciusban@gmail.com (a reposta pode demorar a retornar, tá?). Também uso o twitter @viniciusban com frequência.

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