#6 Renzo Nuccitelli | Pythonistas que você devia conhecer

Hoje converso com o Renzo. A história curta que tenho de amizade com o Renzo é algo engraçado. O conheci sem querer no Intercon 2013 e trocamos umas ideias. Logo depois através de uns contatos em comum me encontro novamente em um e-mail com o Renzo para poder me ajudar a ir ao Rupy 2013.

E nesse meio tempo fomos nos encontrando em eventos, e há um bom tempo já queria que ele pudesse falar um pouco de sua experiência, como é a experiência com o Google App Engine sendo evangelista, dar aulas, e converter “Javeiros” em “Pythonistas”

Renzo, fale um pouco de você.

Escrever sobre si mesmo é difícil, mas vamos lá. Basicamente sai de Santos para estudar e por conta de condições financeiras adversas, tive que frequentar escolas que me pagassem para estudar. Nesse sentido, fica a dica para aqueles que se encontram nessa condição(http://blog.renzo.pro.br/2013/10/quando-voce-quer-o-universo-conspira-em.html). Sim, existem escolas de ensino médio e universidade que pagam para você estudar.

Nessa caminhada acabei passando no ITA e decidi que gostava de programar, escolhendo o curdo de Engenharia de Computação. Então desde de 2006 estou nesse mundo.

A caminhada sempre foi cheia de transformações. Ao me formar era militar e fui trabalhar na gestão do Sistema de Controle do Espaço Aéreo. Mas 6 meses depois resolvi sair dessa carreira estável, pois realmente eu queria desenvolver em vez de fazer apenas serviços burocráticos.

Meu TG foi um projeto de código aberto em Java (http://jcoltrane.sourceforge.net/) e depois que ganhei um prêmio internacional com ele, acabei me motivando a largar a Força Aérea Brasileiro (FAB).

Hoje minhas paixões são minha família, futebol e participar dos eventos de tecnologia que a comunidade organiza. Por falar nisso, nesse ano de 2014 acabamos, eu e a comunidade de Python da cidade onde moro, Trazendo a conferência Python Brasil para São José dos Campos – SP.

Adoro natureza e tranquilidade, mas sem abrir mão de confortos da cidade. Por isso vivo em uma cidade média, que concilia as duas coisas.

Vi que no começo você trabalhou com FLEX e Java. E em 2010 já usa ava o GAE(Google App Engine). Qual é a história por trás dessa transformação de Java para Python. E fale um pouco da experiência de dar um curso de Python para quem sabe Java no Python Pro.

Quando sai da FAB fui trabalhar em uma startup na área de saúde. Eu já sabia Java, o backend que usavam. O front era uma aplicação feita em Adober Air, a versão desktop do Flex. Apesar de a tecnologia estar em extinção, a linguagem ActionScrip possuia vários aspectos interessantes que não existiam no Java. Comecei a ficar curioso para conhecer outras linguagens de backend.

Então meu amigo Reginaldo, mais conhecido como o hacker do Facebook (http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2014/01/sou-hacker-do-bem-diz-engenheiro-que-descobriu-falha-no-facebook.html) me indicou o livro Programming in Lua (Programando com Lua). Achei fantástica a linguagem.

Nesse meio tempo eu comecei a namorar com a Priscila, que hoje é minha noiva. Eu estava com vontade de fazer um projeto do início ao fim para aprender todo o processo de desenvolvimento. Decidi fazer um projeto de transmissão de fotos para o pai dela. Assim nascia o Revelação Virtual, precursor do Pic Pro.

Só que então passei um mês para entender todo as ferramentas utilizadas na empresa: Java, Tomcat, Maven, Nexus, Adobe Flex, Spring, entre outras. Foi então que no almoço meu guru Reginaldo me mostrou o App Engine em 5 minutos durante o almoço na empresa. Foi amor à primeira vista.

Ambiente simples, não precisa instalar um milhão de plugins, não preciso ser babá de servidor. Só codar e colocar na nuvem! Estava escolhido então a plataforma. Então o projeto evoluiu para o Pic Pro, que explico melhor na próxima pergunta.

Depois dessa experiência, e por ser apaixonado por dar aulas, acabei montando o site adm.python.pro.br, em parceria com o grande mestre Luciano Ramalho. Justamente pensamos no curso “Python para quem sabe Java” para aproveitar toda a experiência pela qual passei. É sempre gratificante ver os alunos dizendo “Mas o código é só isso? Isso é magia, não programação.”

Vejo que você tem um projeto, o Pic Pro, do que ele se trata?

Captura de tela de 2014-12-18 17:58:47

Eu comecei a usar Java no Google App Engine (GAE). Devido à natureza da plataforma, você acaba tendo o problema de “Cold Start”. Basicamente se chega em um ponto onde você tem que abrir mão de frameworks Java famosos em prol de performance. Mas aí programar virou um pesadelo.

Então pensei em fazer o back em Lua. Mas a linguagem não era suportada e eu teria que rodar na JVM. Na prática, isso me traria os mesmos problemas.

Então a escolha óbvia foi o Python outra linguagem que era suportada na época. De certa forma, lembra um pouco de Lua. De novo foi paixão a primeira vista. Só de comparar o ORM do GAE, que é análogo ao do Django, ao Hibernate do Java, já me fez enxergar potencial na linguagem.

Como o GAE permite ter diferentes versões do site rodando simultâneamente, inclusive com diferentes runtimes, decidi aprender Python rescrevendo a aplicação completamente. Entre devorar o livro “Dive into Python” e reescrever a aplicação, gastei uma semana. O código ficou 60% menor, mesmo com todo meu sotaque de javeiro.

Assim eu passei a utilizar a linguagem em meus projetos. O Pic Pro continua do ar até hoje, olha aí o jabá pro sogrão agora: www.digitaldovale.com.br. Já trafegou mais de 3 milhões de fotos nesse tempo.

E posso dizer que realmente a plataforma aguenta o tranco. Meu sogro e outro cliente fizeram promoções em site de compras coletivas, quando eram febre. Não tive trabalho algum, mesmo sendo newbie em Python e no GAE.

Definitivamente nunca teria conseguido desenvolver uma aplicação sozinho, sendo iniciante, que aguentasse todos os picos de tráfego.

Enfim, para finalizar, só queria dizer que não acho Java ruim. Continuo dando aulas com a linguagem. Contudo, Java e GAE simplesmente não combinam. Se você que usar Java, prefira usar uma stack padrão.

E de onde surgiu a ideia de criar vídeo aulas gratuitas de AngularJS e GAE?

Comecei a frequentar a comunidade e fui na PythonBrasil[8] no RJ. Percebi então que eu era nicho dentro de uma comunidade que é um nicho! Em termos de programação web, Django domina, seguido de longe por algumas outras opções, como Flask e Web2py. Só que quando comecei, o Django não rodava, e na minha opinião (http://blog.renzo.pro.br/2014/07/django-google-app-engine-e-tekton.html) ainda não roda, no App Engine.

Mas como muitas ideias dele foram utilizadas no GAE, passei a conversar com o pessoal, como o Nando e Cadu da ZNC, para fazer paralelos e também para não ficar sozinho. Até cheguei a brincar um pouco com Django. Mas sinceramente, ter que aprender Linux, NGINX e mais toda a stack para se fazer um deploy é uma barreira grande para mim. Fiquei muito “mal acostumado” a codar e colocar no ar, deixando essa parte para minha equipe de infra do Google ;).

Então peguei umas dicas com o mestre Masanori e decidi fazer os vídeos para eu ter com quem conversar nas conferências. Ter uma comunidade que trabalhe com a plataforma. Então tenho gravado os vídeos e tenho vários projetos de código aberto nesse sentido. Agora começo já a ver algumas pessoas se aventurando nesse mundo =D

Outra razão forte é que eu considero ter sido salvo pela educação e esse é único caminho para termos uma sociedade melhor. Então era o caminho óbvio a ser seguido retribuir a educação que consegui obter nas instituições do país.

Temos hoje uma startup em São José dos Campos, o Qmágico, no qual focam em criar plataformas de ensino e estudo para escolas e faculdades. E usam GAE, como foi essa aplicação?

Depois de cerca de um ano tocando uma escola de programação, decidi parar porque financeiramente estava não estava compensando.

Continuava codando no Pic Pro, mas queria codar em equipe. Eis então que o universo conspirou. Recebi um e-mail do Masanori falando do Feijão, um iteano que eu já conhecia, procurando devs. E justamente estava sendo utilizado Google App Engine. Realmente era um sinal.

Fui pra lá e acabei influenciando a troca do Java pelo Python. Depois também virei o Diretor de Tecnologia, e foi uma experiência espetacular.

Montamos uma equipe do zero. Chamei bons alunos, como o Denis Costa e Giovane Liberato, para trabalhar com gente. Conhecer e me envolver com todos foi fantástico. Nessa pegada acabamos desenvolvendo um processo de entrega contínua que eu sempre tinha sonhado. Inclusive eu e Denis falamos sobre a experiência em tutorial de 8 horas na PythonBrasil[9] em Brasília.

Como foi a experiência de documentar seu aprendizado em seu blog, e principalmente a sua história(Recomendo a todos). 

Cara, o Henrique Bastos recomenda sessões de terapia para todo mundo. Segui o conselho, mas preferi usar o blog.

Além disso, foi um experimento social. Eu via que pouca gente lia meus posts técnicos, nem os melhores amigos. Então passei a escrever coisas pessoais, até mudei o título para deixar isso claro.

O resultado foi engraçado. O primeiro que escrevi, que repito o link aqui por comodidade( http://blog.renzo.pro.br/2013/10/quando-voce-quer-o-universo-conspira-em.html), era para ser único. Mas teve gente que eu não conversava há 12 anos que leu e pediu para escrever mais. Chegou ao ponto de o Denis me dizer que os posts estavam sendo a novela das nove pro pessoal da Fatec, onde sou professor…rs.

Enfim, hoje em dia misturo posts técnicos com pessoais. São coisas que não sossego enquanto não saem da cabeça. O último (http://blog.renzo.pro.br/2014/10/qual-historia-voce-quer-contar-daqui-30-anos.html) foi justamente falando de como passei de militar a um apreciador do lifestyle business.

E pelo jeito esse é o caminho certo. Até você acabou lendo! Enfim, estou pensando em me aposentar de TI e aplicar para vaga de roteirista de novela 😉

Você já escreveu um livro sobre GAE, e atualmente dá aulas tanto para iniciantes com o Python Birds, Pyprático e App Engine. Como está sendo a vida de empreendedor.

Cara, nesse último 1,5 ano de lifestyle business eu estou no Nirvana. Estou feliz e tenho plena consciência disso. Todos esse projetos eram coisas que eu tinha vontade de fazer já há muito tempo. Mas com rotina diária de trabalho, eu dava sempre aquela desculpa “quando der tempo eu faço”.

Agora é diferente. Programei minha vida para ter tempo livre e poder tirar esses projetos da cabeça. Realmente está sendo um período fantástico. Aliás, já me pediram para escrever mais sobre isso.

Com certeza vou lançar mais coisas lá no blog para compartilhar com a galera.
Então desse ócio produtivo surgiu App Engine e Python (https://leanpub.com/appengine) e todo o conteúdo que tenho postado.

Acho que todos sabem como é ter tempo, quando tira férias. Mas poder ter tempo livro o ano inteiro, não tem preço 😉

Deixe suas considerações para a galera e seus contatos.

Bom, queria convidar a todos para a PythonBrasil[11] que será realizada em São José dos Campos. E convido a todos mesmo, programadores de outras linguagens e até não programadores. A tecnologia é só pretexto para uma galera sensacional se reunir e trocar ideias sobre os mais variados assuntos.

Sempre fui dono de meu destino e mudo sempre minha forma de pensar de acordo com minha visão de mundo. Essa comunidade fantástica me ajudou a catalisar esse processo. Deixe que ela faça isso por você também.

Ficam meus contatos para quem quiser trocar uma ideia:
GitHub: renzon
Twitter: @renzoprobr

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